quarta-feira, 13 de junho de 2012
What's left of me?
Golpes neste malogrado corpo
Sacodem as feridas com sal.
Uma e outra vez afundam lágrimas antigas
Em desejos vários pertencentes a outras vidas.
Estende-se então o tabuleiro do destino
E escolhe-se as peças do jogo final.
Num que não podemos ganhar.
Apenas (fingir) jogar.
A Fera impaciente ronda e ameaça,
Morde e trespassa
Tudo aquilo que o sonho conquistou.
E então o que fica?
Ou melhor o que foi?
Nada, apenas isso.
Um nada que um dia pareceu o mundo em suspenso;
Um viver tão intenso que o vento arrastou
E na poeira do tempo se perdeu.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Onde ando?
Esperei que o tempo curasse;
Que a ferida fechasse,
A dor apagasse
E a vida seguisse.
Esperei;
Sentei-me impávida,
No banco dos derrotados,
Perto de uma estrada sem rumo,
Onde fiquei abandonada.
A solidão não nos dá asas;
Não nos arranca o passado da pele.
O tempo não varre memórias,
A tempestade continua
E eu não me quero abrigar.
Tento não pensar
Esforço-me por não querer.
Sou só vontades, sonhos desfeitos,
Num sopro esquecido pelo vento.
Quando me devo levantar?
Acho que já nem sei caminhar,
Enfrentar o horizonte,
Como um dia o fizemos: juntos.
Não sei falar sem que ninguém me ouça,
Fingir ser um todo
Quando fico-me apenas pela metade.
Aquela que um dia foi tua.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Música
Sinto o
dedilhar das notas,
Melodiosas e
vitais.
Balanço no
seu afago,
Nesta música
que te trago,
Esta voz que
me é
Um sopro do
teu amor.
Ao ritmo dos
nossos beijos,
Ao rimar das
nossas palavras,
Viajamos
pelas estradas,
Que nos
levam com desejos,
De descobrir
novos sons.
Mil e uma
pautas de sonhos
Apenas entre
estas mãos;
Que
orquestram a vida
Arrebatando-nos
em ovações,
Nos conduzem
à partida,
A um cosmos perfaço
de sensações.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Fui
Fui embora.
Parti do éden
De grama
verde,
Paisagem
idílica
E maçãs sedutoras.
Fugi do
lençol amado,
Da segurança
da terra,
Daquela vida
que erra,
E nos prende
no seu laço.
Procurei
pelo mundo,
Decidindo o
tempo.
Abri os meus
olhos,
Ofereci a
minha alma,
Em busca de
novos passos
Que me
guiassem
Me levassem
E me
perdessem.
Perdi-me.
Completamente.
Deitei o mapa fora,
E fui:
Outra vez.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Hoje chove
Hoje chove
na minha casa.
Chove
tristeza,
Chove dor,
Desilusão.
As suas
gotas ferem,
Arrasam com
a esperança
De tão
singela visão:
Apenas um parco
arco-íris
Um dia em
construção.
Ao de leve,
a vida pesa.
Sem sentir,
a mão fere.
Ainda sem
saber,
A realidade magoa.
Cada vez
mais molhada,
O meu corpo
imobiliza;
Os sentidos
entorpecem
Na frieza
lutuosa
De uma noite
ainda por chegar:
Ainda por
viver,
Mas ansiosa por
me ver sofrer.
Não dou
luta.
Mantenho-me
anestesiada:
Drogada na
alma.
Adormecida
na estrada.
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