Suprimida a dimensão
do ar,
Acerca-se a intempérie
dos corpos:
Pele na pele,
Sangue no
sangue.
Sôfrego e substancial
Goteja o
suor:
O orvalho apaixonado
De um
amanhecer convicto.
Certezas saracoteiam,
Saiem das
árvores em flor.
Rasga-se a
cortina da culpa,
Descobre-se
a porta da vida.
Abrem-se bocas
em gritos mudos,
Aqueles que são
apenas de quem ama.
Sussurrados
ao abrigo do céu,
À comunhão
das almas.
Paulatinamente,
sopra a brisa
Numa partida
em crescendo.
Desnorteado:
olhas em redor.
Ouves o
vazio em pleno,
Embala-te a carícia
fria:
Uma extinta
fogueira em brasa.
E dás voltas
à cabeça, pensas
No anjo que
te fez companhia,
Na voz que
veio -
Quando no
silêncio da noite -
Pediste
socorro.
Tentas
recordar
Procuras uma
imagem,
Um simples aroma.
Qualquer
vestígio de verdade.
Sofres em
recordações espontâneas
Queres esquecer;
Mas todas as
noites voltas e pedes socorro.
E a cada
súplica venho,
A cada noite
te protejo,
Para a cada
dia fingir que não te conheço.