segunda-feira, 16 de abril de 2012

Porque não existem finais felizes?


Há razões sem razão,
Sentimentos sem noção.
Olhares sem explicação.
Sim: há. Eu sei, sinto e vejo.
Somos escravos d’Amor;
Seres sem alma nem calma.
Devoradores ávidos e impávidos,
Lutando por anseios sem fim.
Buscamos prazer na dor;
E dor no prazer.
Sorrimos às lágrimas,
Envergamos penosas espadas;
Num desequilíbrio animalesco,
De gladiadores em fúria.
Pensamos e queremos;
Conquistamos e não sabemos.
Somos ignorantes e medrosos,
Razoáveis demais até.
Andamos em passos lentos,
Com medos decadentes,
De futuros ainda por desbravar.
Agimos ao contrário da vontade,
Cegos e inconscientes;
Somos abismo do céu que julgamos.
Batemos e debatemos,
Bradamos e calamos,
Ofendemos e sofremos.
Porque o principal é sempre silenciado,
O belo é sempre ofuscado.
O Amor é sempre guardado.
E depois questionamo-nos:
Porque não existem finais felizes?

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O meu Amor


Aperta-me este sentimento, sufoca-me dolorosamente a alma.
Amar-te custa, arde dentro do peito, explode na cabeça e sai-me dos olhos em lágrimas infindáveis. Já nem sei viver sem te lembrar, nem me lembro de existir antes de te conhecer. É como se o sentido fosse na tua direção, a resposta para as minhas perguntas estivesse nas tuas palavras – o meu ar na tua presença.

E como eu preciso de respirar-te, ver-te, sentir-te. Cada momento do meu dia é preenchido por ti, imaginando o teu, ansiando por estar perto: tudo és tu. E isso dói, rasga-me por dentro e por fora, dá-me medo. Muito. Porque sei que somos duas forças que o universo não autorizou a unirem-se e que encontraram-se num momento de distração. Sei que não sou o suficiente, o mundo é o mínimo que mereces, e é o mínimo que deves pedir

Sinceramente, seria capaz de fazer qualquer coisa pelo teu bem-estar. Se soubesses o quanto queria amparar-te, salvar-te do abismo, dizer-te que tudo irá ficar bem e fazer tudo para que isso acontecesse. Quando penso nisso, tenho a certeza verdadeira que realmente o faria. Isso é a minha definição de Amor. Acredito que não é igual para todos, cada um pode amar com diferente intensidade e entrega, dando maior ou menor importância ao sentimento - há tantas definições quanto o número de seres humanos. E eu sei que a tua é diferente da minha.

O meu Amor é só meu, permanece intacto e oculto em mim; vivo-o da maneira que posso, escondo-o para me proteger. Eu sei que os clichés filosóficos me diriam que a vida é feita de riscos e que não podemos ter medo dos sentimentos nem de partilhá-los. Só que o problema da filosofia de auto-ajuda é que faz-nos acreditar que tudo o que fizermos irá correr bem, independentemente do que outros pensam ou sentem.  Na vida real, somos paralisados pelo medo, barrados pelas probabilidades, seguros pela inacção. 

Eu sei que não teria nenhuma surpresa se te contasse, não haveria príncipe a beijar nenhum sapo nem cavalos brancos em direcção ao pôr-do-sol: e não é medo, é sensatez. Porque este aperto já é doloroso demais, este saber e não ter a certeza, ainda me dá hipóteses de sonhar: isso eu faço. Recolho-me ao meu mundo imaginário e vivo ilusões temporárias, mas conscientes da realidade. É um pouco estranho, mas eu também o sou e é assim que te vivo, que te tenho comigo.

Este Amor é egoísta, não gosta de te ter afastado, sofre com a possibilidade de os teus lábios sorrirem noutra direcção.  Às vezes trata mal, não é santo e nem sempre é bondoso, mas é definitivo. Há muito que deixou para trás a palavra esquecer, depressa percebeu que não era possível. E assim vai caminhando lentamente na tua sombra, disfarçadamente, quase imperceptível. E assim continuará, sempre por perto, vendo e velando, até chegar alguém que preencha a tua definição de Amor.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Passado? Passou...



Quem não se lembra do passado? Quem nunca recorda acontecimentos da sua vida? Que atire a primeira pedra, com força – eu não me importo. Porque eu sei (e vocês se forem sinceros também ) que isso é impossível. O passado é raiz do ser, aquilo que suporta o nosso peso e impede-nos de cairmos a cada ventania mais forte. Somos nós em frente ao espelho com aquele penteado medonho da época da primária; somos nós irreconhecíveis: um protótipo rudimentar, mas real da nossa mísera pessoa.

É incrível como a nossa vida muda ao longo dos anos, as nossas feições, as nossas atitudes e até os nossos sonhos. No presente parecemos mais sábios, temos consciência de como deveríamos ter agido, o que deveríamos ter dito até de como ridícula era aquela saia ( calças para os rapazes) bege que levamos no nosso primeiro encontro! O Passado serve de exemplo de como não devemos agir, um rascunho para passar a limpo.

Mas calma: o Passado também lá tem coisas boas, sim. É a ingenuidade de não saber o que irá acontecer, as surpresas do dia-a-dia, um sem fim de instantes que valem a pena recordar. No entanto há a tentação de nos suportarmos nesses momentos para viver as dificuldades do presente, criar uma ilusão de semi-felicidade naquilo que já passou: um caminho que desejamos repetir. Errado: muito. O passado deve servir como inspiração - transporte para novas realizações, novas conquistas, novos objetivos quem sabe. Olhar em frente, desejar um novo nascer, sabendo que atrás de nós temos um magnífico pôr-do-sol- sem receio que este desapareça.

Portanto é bom que percebas que o passado não volta. Por mais magias ou rezas que faças, não é ao constantemente recordá-lo que ele se vai tornar outra vez real. Digo isto em ambos os sentidos: o primeiro beijo com aquele rapazito ( boazona para os rapazes) nas traseiras da escola não vai repetir-se; nem de repente vamos acordar e termos o cabelo cortado à tigela ( para ambos os sexos)e ainda bem. Espero que tenhas percebido.


Agora é mais fácil: faz do teu presente um passado digno de ser recordado com um sorriso. Mas não fiques com medo: erra o tanto que possas, falha ao máximo, cai, continua a esfolar os joelhos tal como quando eras criança; diz disparates, ri-te da tua parvoíce, faz isso tudo e mais alguma coisa. Porque, um dia - assim sem querer - vais acertar, porque arriscaste, ganhaste coragem e fizeste realmente algo. Para que, no fim, possas dizer: não fui comandado pelo meu Passado, mas comandei o meu Futuro.

Só para que saibas: se não resultar, não me venhas pedir explicações nem tretas do género. Se não resultar, volta a tentar quantas vezes for preciso: sempre é experiência.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Cansaço


Cansada.
Estou cansada.
De esperar,
À porta da vida.
Cansada de estar parada,
De virar e não ter saída.
Cansada de respirar,
De correr e fugir.
Cansada de sonhar
De tentar e desistir.

Queria ser como o ar:
Estar em todo o lado,
Sem que ninguém notasse.
Queria ser como uma estrela:
Intocável e protegida,
Brilhante e cheia de vida.
Queria. Muito.
Viver sem pensar,
Arriscar e fazer,
Lutar e nunca perder.

Queria ser doce,
Conquistar com facilidade,
Contar mentiras
Ao invés da verdade.
Queria ser forte,
Esperta e determinada.
Ser menina dissimulada:
Secar as lágrimas,
Distribuir sorrisos e
Amáveis palavras.
Sem me conter,
Apenas viver.


Queria ser o que não quero,
Ausentar-me donde quero estar.
Odiar o que desejo,
Ignorar quem me quer amar.
Queria não ter medo,
Não ter sonhos nem esperança.
Queria poder não sentir,
Não sofrer com cada lembrança.
Talvez assim
A minha dor fosse aliviada
E não ficasse tão cansada.