quarta-feira, 30 de maio de 2012

Onde ando?


Esperei que o tempo curasse;
Que a ferida fechasse,
A dor apagasse
E a vida seguisse.
Esperei;
Sentei-me impávida,
No banco dos derrotados,
Perto de uma estrada sem rumo,
Onde fiquei abandonada.
A solidão não nos dá asas;
Não nos arranca o passado da pele.
O tempo não varre memórias,
A tempestade continua
E eu não me quero abrigar.
Tento não pensar
Esforço-me por não querer.
Sou só vontades, sonhos desfeitos,
Num sopro esquecido pelo vento.
Quando me devo levantar?
Acho que já nem sei caminhar,
Enfrentar o horizonte,
Como um dia o fizemos: juntos.
Não sei falar sem que ninguém me ouça,
Fingir ser um todo
Quando fico-me apenas pela metade.
Aquela que um dia foi tua.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Música


Sinto o dedilhar das notas,
Melodiosas e vitais.
Balanço no seu afago,
Nesta música que te trago,
Esta voz que me é
Um sopro do teu amor.
Ao ritmo dos nossos beijos,
Ao rimar das nossas palavras,
Viajamos pelas estradas,
Que nos levam com desejos,
De descobrir novos sons.
Mil e uma pautas de sonhos
Apenas entre estas mãos;
Que orquestram a vida
Arrebatando-nos em ovações,
Nos conduzem à partida,
A um cosmos perfaço de sensações.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Fui


Fui embora.
Parti do éden
De grama verde,
Paisagem idílica
E maçãs sedutoras.
Fugi do lençol amado,
Da segurança da terra,
Daquela vida que erra,
E nos prende no seu laço.
Procurei pelo mundo,
Decidindo o tempo.
Abri os meus olhos,
Ofereci a minha alma,
Em busca de novos passos
Que me guiassem
Me levassem
E me perdessem.
Perdi-me.
Completamente.
Deitei o mapa fora,
E fui:
Outra vez.
 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Hoje chove


Hoje chove na minha casa.
Chove tristeza,
Chove dor,
Desilusão.
As suas gotas ferem,
Arrasam com a esperança
De tão singela visão:
Apenas um parco arco-íris
Um dia em construção.
Ao de leve, a vida pesa.
Sem sentir, a mão fere.
Ainda sem saber,
A realidade magoa.
Cada vez mais molhada,
O meu corpo imobiliza;
Os sentidos entorpecem
Na frieza lutuosa
De uma noite ainda por chegar:
Ainda por viver,
Mas ansiosa por me ver sofrer.
Não dou luta.
Mantenho-me anestesiada:
Drogada na alma.
Adormecida na estrada.