quarta-feira, 2 de maio de 2012

Hoje chove


Hoje chove na minha casa.
Chove tristeza,
Chove dor,
Desilusão.
As suas gotas ferem,
Arrasam com a esperança
De tão singela visão:
Apenas um parco arco-íris
Um dia em construção.
Ao de leve, a vida pesa.
Sem sentir, a mão fere.
Ainda sem saber,
A realidade magoa.
Cada vez mais molhada,
O meu corpo imobiliza;
Os sentidos entorpecem
Na frieza lutuosa
De uma noite ainda por chegar:
Ainda por viver,
Mas ansiosa por me ver sofrer.
Não dou luta.
Mantenho-me anestesiada:
Drogada na alma.
Adormecida na estrada.

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